Não, não é. No entanto, é preciso dizer que há uma forma de coaching que é parente da terapia, e outra forma que é parente do treinamento. Isso depende, basicamente, da estratégia empregada pelo coach e de sua formação profissional anterior.
O coaching tem duas origens distintas, como prática de desenvolvimento profissional: de um lado, surgiu como processo de treinamento individualizado, decorrente das necessidades de aperfeiçoamento que são medidas com a objetividade possível para fenômenos como conhecimentos, habilidades e atitudes; nesse ponto de origem situam-se as práticas de avaliação de desempenho e de potencial, que procuram quantificar comportamentos observáveis de forma a localizar lacunas, ou “oportunidades de desenvolvimento”. O coaching realizado a partir desse enfoque tenta ser mais objetivo, mais mensurável, atuando dentro de uma estratégia parametrizada. Todos conhecemos a dificuldade e a beleza de tentar objetivar em ciências humanas, e alguns coaches são particularmente brilhantes nesse esforço.
De outro lado, o coaching se origina nas práticas de desenvolvimento da subjetividade, da auto-percepção, do efeito que minha ação provoca no meu interlocutor, na forma particular de cada executivo lidar com o poder, o seu e o do outro. Essa modalidade de coaching é tributária das práticas psicoterápicas, embora não seja psicoterapia, nem pretenda ser. O coaching aplicado como desenvolvimento das competências gerenciais e políticas a partir dessa estratégia clínica, usa vários dos recursos da terapia, particularmente o insight, o dar-se conta, o “cair a ficha”. Essa abordagem, que pode até produzir efeitos terapêuticos, não é, a rigor, terapia, porque não é um processo em aberto: destina-se, especificamente, a aperfeiçoar o desempenho do papel profissional, e sempre voltará para o tema do trabalho, mesmo quando provoque descobertas de outras esferas. Não é incomum que um profissional de defronte com padrões de comportamento que inibem seu desempenho e que têm origem em relações familiares. Na terapia, discute-se esse padrão, sua origem, suas motivações e sua eficiência na vida. No coaching o insight é muito útil, mas a atenção do coach e do coachee se volta, imediatamente, para os efeitos dessa conduta na relação com os subordinados, os pares, ou o chefe.
Trata-se, portanto, de processos com objetivos diferentes. O coaching é destinado a provocar o desenvolvimento de competências profissionais em executivos cujas tarefas têm alto índice de complexidade. Os temas possíveis dentro de uma relação de coaching são de natureza política e gerencial. Sua função é fortalecer, incrementar os resultados da relação executivo/empresa, que deve ser fértil e mutuamente satisfatória para gerar os melhores resultados. Já na terapia, o tema é a busca da felicidade do cliente e as particulares amarras que dificultam sua marcha.
Outra diferença importante é que o coaching, apesar de não ser uma regra, muitas vezes tem prazo para terminar, determinado pela empresa. Como tem objetivos claros e pré-determinados, eles podem ser medidos pelo executivo, por seu chefe e pela própria empresa. Alcançados os objetivos, conclui-se o trabalho.
É muito importante que o terapeuta/coach tome cuidado para o coaching não se tornar uma terapia, pois acabará perdendo seu propósito organizacional. Dessa maneira, quando questões pessoais surgirem durante o processo, devem ser apontadas, mas não trabalhadas. Para essa tarefa, o profissional costuma indicar para o executivo uma terapia propriamente dita..
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