Dicas&Toques 104 – “Causus” de Consultor – I O feitiço do tempo.

D&T70

Quem assistiu à comédia “O feitiço do tempo” de 1993 com Bill Murray e Andie MacDowell, certamente se lembra da angustia que é sentir que o tempo não passa. Mas mesmo que você não tenha visto o filme, já passou por situações em que teve essa sensação.

Foi o que aconteceu comigo há alguns anos, durante um curso noturno de uma semana. O tema era gerência de vendas na pequena indústria, realizado no CIESP de Jundiaí. Turma boa, participativa e numerosa, íamos muito bem e já estávamos na quinta-feira, penúltima aula.

Durante o dia eu tinha estado num cliente de consultoria da região, envolvido em tarefa particularmente estafante, cansativa mesmo: a leitura de algumas dezenas de currículos para seleção de vendedores.
Essa é uma atividade que exige atenção e olho clínico para tentar ler as entrelinhas, pois o volume de currículos mal elaborados é grande, mesmo quando se trata de profissionais de nível superior e cargos de gestão. O maior desafio está em identificar no meio de redações ruins, frases prontas, autoelogios artificiais e hiatos de tempo não explicados, algum indício de que pode valer a pena chamar o profissional para uma entrevista.

A noite, portanto, meu nível de atenção estava um tanto rebaixado. Mas a primeira parte da aula foi muito bem.
Como usamos sempre metodologias participativas, com muitas dinâmicas de grupo, exercícios e debates, o ânimo da turma nas atividades ajudou a manter um bom ritmo. Após o intervalo, no entanto, tínhamos uma parte inevitável de conteúdo expositivo. Aquele em que cabe ao consultor apresentar ou explicar conceitos.

Exemplos eu tinha aos montes. Lá fui eu, dissertando, detalhando… rápidas olhadelas no relógio de pulso, ansiando pelo merecido descanso.
Mais alguns exemplos e comentários, estimulando os participantes a contarem também suas experiências e… mais uma olhadela no relógio. Decididamente o tempo não passava.

Em dado momento, diante da evidente redução de atenção da turma, decretei:
– Pessoal, eu sei que nossa aula termina as 22:30, mas estamos todos cansados, de modo que hoje vou terminar mais cedo.

Com cara de alívio, as pessoas foram se levantando, despedindo, avisando que sexta tomaríamos uma cerveja ao final do curso.
Um dos últimos alunos se deteve e perguntou:
– André, que horas são no seu relógio?
Olhei novamente e respondi:
– Dez e cinco, por quê?
– Porque com certeza o seu relógio parou. São Onze e Quinze meu querido mestre!
E com um sorriso maroto, se despediu.

Ou seja, quando nós ficamos sem bateria, podemos não perceber que o relógio também ficou.
Conheça nosso Workshop “Relaxando em Meio à Crise”.

 

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Sobre o autor

André Ganzelevitch

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André Ganzelevitch é consultor Empresarial e Profissional de Treinamento desde 1981.É autor de mais de 60 títulos de Programas de Treinamento, Workshops e Palestras para diversas entidades de apoio empresarial, para aplicação presencial e à distância.

2 Comentários

  1. hahahaha André, estou me esbaldando aqui com seus “causus”, também leciono e suas histórias me fazem ir ao passados e ao presente ao mesmo tempo. Muito bom!
    Parabéns!!!!

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