Dicas&Toques 109 – “Causus” de Consultor – VI Deu Branco… e agora?

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Nos primeiros anos de minha atividade como consultor e palestrante, no começo da década de 80, a frequência de cursos noturnos era grande e os programas, bastante variados, embora todos fossem sobre vendas e marketing.
Separar os conteúdos, exercícios e dinâmicas adequados a cada programa exigia cuidado. Definir que exemplos e casos contar em cada curso então demandava atenção redobrada.
Até as eventuais piadas que se contam em sala de aula precisavam ser anotadas, pois havia um grande número de alunos que fazia vários cursos seguidos, de modo que a chance de ter rostos conhecidos em alguma turma era bem grande.

Entretanto, um bom Plano de Aula, que desde os primeiros cursos aprendi a fazer com meu amigo e mestre Sebastião Guimarães, sempre foi e é, até hoje, a melhor forma de conduzir um programa com segurança e sem atravessar os tempos de cada atividade, o que pode ser fatal para a qualidade da aplicação de qualquer conteúdo.

Mas nada te salva de um eventual “branco”. Aquele instante em que, no meio de uma frase, você esquece o que ia dizer.
Quem ministra treinamentos ou palestras sabe que isso pode ocorrer a qualquer momento e a melhor forma de lidar com a situação é admitir que deu branco mesmo.

Porém, quando se está no começo da carreira, a probabilidade maior é ficar nervoso.

E aconteceu comigo num curso da ADVB. Lá pela terceira ou quarta noite, não lembro bem, no meio de uma explicação me fugiu o exemplo que eu ia usar.
Sala lotada, giz na mão, olhar meio perdido para o nada, senti uma gota de suor correr pelo pescoço.
Um senhor de óculos e cabelos brancos, sentado logo na primeira fileira me diz baixinho:
– Passa para o assunto seguinte que depois você lembra.
Imediatamente declarei que tinha esquecido e de modo descontraído (só por fora, claro), abordei o tema seguinte. Em poucos minutos lembrei o exemplo e o usei até com humor.
A classe toda riu e o tal “branco” acabou parecendo até coisa programada.
Ao final da aula quis agradecer ao meu salvador, mas era comum sermos cercados por alunos fazendo uma última pergunta, pedindo cartão de visita, etc.
No último dia, nem no intervalo consegui falar com ele e ao final da aula, quando me dei conta ele já estava saindo.
Acenei para ele que, num gesto elegante e cordial, fez uma leve reverência, um aceno e um polegar levantado em sinal de positivo, acompanhado da palavra “parabéns”, que adivinhei por leitura labial, pois o burburinho da sala era ensurdecedor.

Nunca mais vi o gentil senhor que me salvou de um constrangimento quase inevitável, apenas com um breve conselho. Mas sempre me lembro dele em situações semelhantes.

Eu não acredito em anjos da guarda, mas se existirem mesmo, esse foi o segundo.
O primeiro, até hoje, é meu “guru” Sebastião Guimarães e sua conhecida generosidade.
Obrigado mestre.

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Sobre o autor

André Ganzelevitch

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André Ganzelevitch é consultor Empresarial e Profissional de Treinamento desde 1981.É autor de mais de 60 títulos de Programas de Treinamento, Workshops e Palestras para diversas entidades de apoio empresarial, para aplicação presencial e à distância.

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