Dicas&Toques 136 – A Crise Econômica e o Desequilíbrio Emocional

D&T70

O título também poderia ser “Quando a expectativa de venda é maior do que a realidade”

Trocar de carro envolve algumas tarefas de rotina tanto por parte de quem compra como de quem vende. Há algumas semanas sondo as possibilidades de uma troca, estudando os classificados e visitando algumas lojas.

Como a busca é por um seminovo – eufemismo elegante para “usado” – tais rotinas envolvem minuciosa aferição das condições dos veículos que os vendedores apresentam.

Um desses vendedores, cordial, afável, educadíssimo, insistiu para que eu lhe desse o nome e endereço do meu mecânico, pois, para provar que a oferta dele era confiável, ele levaria o carro onde eu lhe indicasse a fim de que meu prestador de serviço pudesse avaliar e opinar sobre o produto.

E assim fiz. Passei nome, endereço, telefone, tudo. O vendedor levou o carro até lá e ao sair me mandou uma mensagem de celular informando que já tinha submetido o veículo à apreciação do profissional indicado e que agora aguardava minha definição.

Evidente que ao assumir tal incumbência o vendedor estava confiante na venda. Isso é compreensível. Entretanto, o meu mecânico me fez considerações que jogaram uma sombra de dúvida sobre a conveniência da compra.

A decisão final é sua – disse ele.

Resolvi ligar para o vendedor e expor a ele as minhas inquietações, com o objetivo de ouvir alguma explicação, oferta de garantias ou algo assim.

No entanto, para minha surpresa, o vendedor interpretou minhas resistências como desistência de compra e enfureceu-se. Aos gritos reclamou que não tinha levado o carro ao meu mecânico à toa, que ele estava há mais de 20 anos no mercado, etc. etc. chegando ao final de alguns minutos de exaltado monólogo, a me xingar, mandar eu comprar no inferno e bater o telefone na minha cara.

Confesso que levei alguns minutos para me refazer da espantosa e inesperada reação do comerciante. E então fiquei pensando: para uma reação tão violenta, tão extrema, há quanto tempo esse profissional estaria sem vender?

A expectativa e ansiedade dele provavelmente estavam no limite do insuportável. A ponto de insultar um cliente potencial, pondo a perder uma possível venda de modo irreversível.

Quantos de nós estamos perto de explodir de forma semelhante? Como a queda de vendas está afetando nossa estabilidade emocional?

Certamente a crise econômica faz estragos emocionais bem maiores que os financeiros. Fica no mercado quem tiver mais sangue frio para lidar com situações difíceis.

No dia seguinte o vendedor me mandou uma mensagem pelo celular, pedindo desculpas. O que você faria? Aceitaria e retomaria o negócio ou descartaria essa loja, já que só na cidade de São Paulo existem cerca de 1500 lojas de veículos usados?

Mais do que nunca, planeje e aproveite o seu final de semana.

 

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Sobre o autor

André Ganzelevitch

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André Ganzelevitch é consultor Empresarial e Profissional de Treinamento desde 1981.É autor de mais de 60 títulos de Programas de Treinamento, Workshops e Palestras para diversas entidades de apoio empresarial, para aplicação presencial e à distância.

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