Dicas&Toques 144 – Demite por Falta de Faturamento ou Falta Faturamento porque Contratou Mal?

D&T70

Em tempos difíceis muitas empresas demitem para tentar reduzir custos e sobreviver. A questão é: será que quando contratou, fez bem a lição de casa?

A micro e pequena empresa sofre de um mal crônico: contratações ruins. Por seu perfil familiar e por tratar as relações profissionais domesticamente, regularmente faz contratações de modo improvisado.

Vejamos alguns dos critérios mais comuns:

  1. Indicação de conhecidos – evidente critério que privilegia os relacionamentos sociais sem, no entanto, contemplar adequação do perfil.
  2. Vínculos familiares – um dos piores e mais danosos vícios no processo de contratação, pois traz para a empresa os laços de parentesco, o que é geralmente um desastre.
  3. Jeitão – sem qualquer conjunto de parâmetros de avaliação os candidatos são medidos na base da intuição de quem os entrevista.
  4. Pressa – contratação feita na base “do laço”, pegando o primeiro gaiato que aparece na hora da necessidade porque tinha pedido em atraso e precisava produzir logo.

Se acrescentarmos a esse cenário o fato de que a pequena empresa não tem descrições de cargos que formalizem o que o colaborador deve fazer e que competências se esperam dele, fica bastante difícil estimular colaboradores no caminho certo.

O fato é que, sem esse e outros recursos o próprio empresário não sabe qual é “caminho certo” para cada colaborador.

Fica na base do:
Tó, estas são as tuas tarefas, vai fundo e se vira. Se tiver dúvida pergunta, mas se não perguntar é melhor porque eu também tenho muitas tarefas.”

Todos focados no remar, ninguém no timão do navio.

Aí é claro, quando as vendas diminuem, se não sabíamos muito bem quem fazia o que porque os cargos, funções e tarefas não foram desenhadas, não dá para saber o que ou quem precisaria ser reorientado nem em quê.

Por outro lado, a falsa crença de que consultoria é sempre cara acaba sendo uma barreira para chamar um consultor e pedir um desenho básico da área comercial que poderia levar apenas uma dezena de reuniões e em pouco tempo ter um mínimo de profissionalização na estrutura da empresa.

Infelizmente, quando as vendas caem – e como a economia é cíclica, sempre haverá os momentos de queda – demite-se quem, no fundo, foi contratado pra fazer “sei lá o quê”.

Nunca saberemos se o colaborador era bom ou ruim porque o que fizemos foi por o remador no banco, entregar o remo e voltarmos para as nossas tarefas, não é assim?

 

Prepare seu final de semana.

 

 

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Sobre o autor

André Ganzelevitch

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André Ganzelevitch é consultor Empresarial e Profissional de Treinamento desde 1981.É autor de mais de 60 títulos de Programas de Treinamento, Workshops e Palestras para diversas entidades de apoio empresarial, para aplicação presencial e à distância.

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