Dicas&Toques 155 – Reunião na sua Empresa parece Reunião de Condomínio?

D&T70

Todos falam ao mesmo tempo, a hierarquia desaparece (às vezes nem tem, mesmo), discute-se muito e não se resolve nada.

Situação típica de empresas familiares em que apesar de existir um titular no papel, muitas vezes ele não existe na prática.

Filhos, sobrinhos, tios, cunhados, parentes de todos os níveis se reúnem para discutir um assunto, tomar uma decisão, mas o momento vira mais um cabo de guerra do que um exercício de consenso.

Já dissemos em outro D&T que todo parente se sente um pouco dono da empresa, o que faz com que as pessoas entrem na sala de reunião com o propósito de defender o seu próprio ponto de vista e não com a finalidade de encontrar um caminho harmonioso de solução.

Há alguns anos fui chamado a uma indústria para, talvez, fazer consultoria. Sala com cinco pessoas: três irmãos sócios e duas esposas de dois deles dando pitacos também.

Uma hora e meia de caos total. Poucas vezes na minha vida participei de uma reunião em que minha função foi dizer bom dia e até logo. Fora isso, quase não consegui falar, tal era a confusão e as discussões ásperas entre as cinco pessoas. Me senti um mero observador de um conflito familiar.

Em outras oportunidades ocorreram coisas semelhantes. Não é difícil que um consultor se veja repentinamente envolvido em reuniões que são mais doentias disputas de egos do que encontros de trabalho.

Medir forças, aproveitar o momento para acusar o outro de eventuais erros ou escolhas malsucedidas, expor rancores, enfim, lavar roupa suja passa a ser o foco da reunião.

Para o consultor, seja qual for sua área de atuação, este é um momento crítico em que precisa de todo seu arsenal de habilidades para mediar a situação e tentar, ao menos, conduzir a conversa para o motivo real da reunião.

O desafio não costuma ser fácil. Mas se bem- sucedido pode muitas vezes evitar rompimentos irreversíveis entre os participantes.

Na empresa, como num condomínio, as pessoas precisam aprender a conviver com quem pensa diferente.

Mas na empresa, DIFERENTE de um condomínio, não é todo mundo que manda igual e a hierarquia precisa ser restabelecida. Empresas familiares com frequência tem dificuldades para admitir isso. Mas esse é um dos papéis cruciais do trabalho de consultoria: fazer valer a antipática frase “manda quem pode, obedece quem tem juízo”. Antipática sim, e muito autoritária, mas em alguns momentos, corretíssima.

 
Prepare seu final de semana.

 

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Sobre o autor

André Ganzelevitch

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André Ganzelevitch é consultor Empresarial e Profissional de Treinamento desde 1981.É autor de mais de 60 títulos de Programas de Treinamento, Workshops e Palestras para diversas entidades de apoio empresarial, para aplicação presencial e à distância.

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