Dicas&Toques 195 – O lado Terapeuta do Consultor – Vendedor demitido e Feliz.

D&T70

Nestor (nome fictício) era engenheiro e vendedor técnico de um cliente nosso distribuidor de materiais e produtos para construção civil e grandes obras.

Atuava há mais de 4 anos com ótimo desempenho e atenção competente aos clientes.

Há pouco mais de um ano tinha também criado um negócio próprio para fazer instalações de materiais termo acústicos e prestar serviços à própria empresa em que trabalhava. A instaladora era tocada no dia a dia por seu pai, já que ele era funcionário da distribuidora com dedicação em período integral.

Infelizmente nos últimos 8 ou 9 meses seu desempenho vinha caindo, sua assiduidade não era a mesma e até o seu humor estava visivelmente oscilante.

A pedido do sócio principal, fizemos algumas reuniões com o Nestor para tentar identificar as razões da queda de produtividade, mas alegando apenas problemas pessoais passageiros, ele desconversava e resistia a uma reflexão mais sincera sobre o problema. Dizia que logo passaria.

Entretanto, nos meses seguintes não só não passou como se agravou, chegando a ter faltas injustificadas.

Após uma última tentativa de conversa, sugerimos a demissão. Nestor estava claramente dividido entre seu emprego na distribuidora e a sua própria empresa de instalações, sem conseguir bons resultados em nenhuma das duas.

Embora não seja a função do consultor, excepcionalmente neste caso aceitei o pedido de meu cliente e eu mesmo dei a notícia ao Nestor, explicando que ele estava num momento em que devia optar por assumir a própria empresa de vez, já que o pai, segundo todos sabiam, era um excelente aplicador, mas um desastrado administrador.

O Nestor por pouco não me fuzilou naquele momento. Sem dúvida não era agradável perder um emprego com salário fixo e mais comissões, trocando pela incerteza de tocar um negócio próprio. Saiu para o departamento pessoal batendo a porta da sala de reuniões. Em mais dois ou três meses concluímos nosso trabalho nessa empresa e não vi nem soube mais do Nestor.

Tempos depois, os filhos do sócio principal assumiram a distribuidora e me chamaram para elaborar um projeto de treinamento de vendas, pois o quadro tinha se renovado e precisavam aprimorar a equipe.

Na manhã em que estava entrando na recepção da empresa cruzo com nada menos que o Nestor.

Para minha surpresa ele abriu os braços num gesto largo e com um grande sorriso me deu um abraço.

Divertido com minha cara de espanto, puxou-me para as cadeiras da recepção e me contou que a demissão foi uma benção. Sua empresa de instalações, agora sob seu comando, tinha crescido, prestando serviços para esta e mais 6 ou 7 outras distribuidoras e as brigas familiares desapareceram. Contou-me mais detalhes e despediu-se de mim de modo afetuoso.

O que num passado recente tinha sido quase uma agressão, agora era um abraço de agradecimento. Entrei feliz para a reunião.

Prepare seu Final de Semana.

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Sobre o autor

André Ganzelevitch

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André Ganzelevitch é consultor Empresarial e Profissional de Treinamento desde 1981.É autor de mais de 60 títulos de Programas de Treinamento, Workshops e Palestras para diversas entidades de apoio empresarial, para aplicação presencial e à distância.

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