Dicas&Toques 202 – O Trump lá. E nós aqui?

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Dizem que o Donald Trump, ao contrário dos presidentes republicanos anteriores, não será comercialmente muito interessante para o Brasil porque no cenário atual ele focará a recuperação da economia americana e isso não inclui parceiros estrangeiros.

Pode ser. E pode ser também que isso não seja exatamente assim. De qualquer modo, isso nos coloca – novamente – diante de uma discussão recorrente.

Como andam as parcerias internas? Precisamos do mercado externo? Sim, todos precisam. Mas até que ponto o empresariado brasileiro estabelece parcerias que fortaleçam cadeias produtivas inteiras?

Nestes mais de 30 anos de consultoria o que vemos não é muito animador nesse aspecto. A maioria das associações empresariais se concentra nos interesses exclusivos do segmento em que atuam, brigam por reduções tributárias, reservas de mercado, interesses corporativos pontuais e, mesmo nessas, a desconfiança recíproca é imensa e a colaboração efetiva entre os associados é escassa ou inexistente.

Uma associação de fabricantes do produto X dificilmente tem uma aliança real com a associação dos fabricantes da matéria prima Y e jamais com os fornecedores de serviços para as empresa X e Y.

O SEBRAE, através do seu projeto junto de APLs (Arranjos Produtivos Locais), há vários anos faz um esforço grande para, junto com entidades empresariais locais, promover essas parcerias. Embora existam sim conquistas importantes, o fato é que no Brasil ainda não existe o espírito de nacionalismo que estimule o fortalecimento recíproco.

A visão é imediatista e predatória. Se uma empresa “A” pode comprar uma matéria prima da China pagando 10% mais barato, não investirá no fornecedor “B” atual para que este, no prazo de 10 ou 15 meses se organize e consiga oferecer por preço similar. Comprará da China, mesmo que a médio prazo isso signifique a falência do fornecedor, sem levar em conta que os desempregados da empresa “B” podem ser os consumidores que a empresa “A” perderá nos meses seguinte.

Internamente todos perdem e transferem renda para países que estão crescendo com seguidos PIBs campeões.

Isso quer dizer que estou pregando o fechamento do mercado brasileiro?

Não. Claro que não. Isso só quer dizer que estou chamando a atenção para o dano da escancarada abertura sem planejamento nem critérios.

Quer dizer que temos governos historicamente incompetentes de todos os partidos que cedem às pressões das multinacionais e dão majestosas isenções que não beneficiam a pequena empresa da cadeia produtiva e muito menos o consumidor final.

Não precisamos de um Donald Trump. Precisamos de uma política de desenvolvimento lúcida e minimamente inteligente e um espírito empresarial mais desarmado e colaborativo.

Prepare seu Final de Semana.

 

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Sobre o autor

André Ganzelevitch

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André Ganzelevitch é consultor Empresarial e Profissional de Treinamento desde 1981.É autor de mais de 60 títulos de Programas de Treinamento, Workshops e Palestras para diversas entidades de apoio empresarial, para aplicação presencial e à distância.

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