Dicas&Toques 89 – Ao sentir fome, você mandaria alguém almoçar no seu lugar?

D&T70

Pergunta besta, né? Claro.
Ninguém faria uma bobagem desse tamanho. Até porque a fome é uma das sensações mais fortes, por estar ligada à sobrevivência.
Mas estamos falando de fome física, alimentos sólidos, nutrientes tais como proteínas, carboidratos, gorduras e água.
E quando a necessidade é de alimento intelectual? Durante os projetos de consultoria do Sebrae, por exemplo. A reação raramente é a mesma.

  • Primeiro porque muitos não sentem “fome” de conhecimento, aprimoramento técnico, aquisição de saber.
  • Segundo porque, quando o insucesso comercial se faz presente, é mais fácil atribuir a causa ao ambiente externo do que à falta de capacitação para lidar com um mercado hostil.
  • Terceiro porque, quando alguém lembra que é necessário reciclar-se, prefere mandar uma auxiliar qualquer aos tais cursos e consultorias que aparecem, do que abdicar de suas horas para sentar-se diante de consultores, instrutores, palestrantes que obriguem a pensar e rever posturas.

É isso que acontece em muitas regiões onde vamos fazer nosso trabalho de consultoria.

No workshop de abertura da semana de consultoria, contamos com talvez 30% de empresários – donos efetivos de seus negócios – e uns 70% de auxiliares e assistentes de várias outras empresas, cujos titulares tinham algo “mais importante para fazer”.

Nas sessões de consultoria, embora a proporção se inverta um pouco, ainda recebemos algumas pessoas que não são os sócios. Senta-se diante de nós um colaborador bem intencionado, às vezes até filho do empresário, mas sem poder de decisão e até sem informações claras sobre as necessidades da empresa. Claro que nesses casos nossa ajuda fica limitada.

Fica sempre a dúvida: o que será que faria com que o alimento intelectual fosse tão apetitoso quanto o alimento físico?

A busca desse “tempero” tem sido uma das nossas mais regulares e intensas atividades, mas desconfio que se um dos ingredientes não for a disposição por mudanças, a receita ficará como o queijo tofu. Macia, fácil de engolir, mas com pouco gosto e quase nenhuma interferência ao sabor do prato já servido pelo mercado.

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Sobre o autor

André Ganzelevitch

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André Ganzelevitch é consultor Empresarial e Profissional de Treinamento desde 1981.É autor de mais de 60 títulos de Programas de Treinamento, Workshops e Palestras para diversas entidades de apoio empresarial, para aplicação presencial e à distância.

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