Dicas&Toques 93 – Etiqueta Empresarial – III Descontração não é Intimidade

D&T70

Nada como um bom abraço, certo? Depende. O contato físico no universo empresarial é diferente e observa outras regras.

Acompanhei há alguns anos uma visita de um vendedor de grande operadora de telefonia celular a uma multinacional americana. Negociavam um pacote de mais de 300 linhas de uso corporativo.

Reunião longa, com 4 executivos da empresa, o vendedor de celulares – que neste segmento ostenta o título de Gestor de Contas – e eu, apresentado apenas como “colega”, já que minha missão era fazer coaching de campo para a operadora, observando a interação com clientes e comentado depois com o próprio vendedor. Daí acompanhar algumas visitas. Em certo momento da reunião, o vendedor tocou no braço do executivo americano sentado ao seu lado, num gesto de apoio à argumentação que ele fazia.
Imediatamente o sujeito afastou o braço e, visivelmente contrariado, soltou em inglês mesmo: Don’t touch me. Don’t do it again*.
Constrangimento, alguns segundos de rubor facial, o vendedor se compôs rapidamente, pediu desculpas e prosseguiu sua argumentação.

O negócio acabou sendo concluído. Mas não é isso que importa aqui. A questão é que nós, brasileiros em geral, achamos que após dois ou três encontros já podemos abraçar, dar tapinhas no ombro, pegar no braço do outro quando argumentamos ou queremos chamar a atenção para algo mais importante, etc.
Mas não é todo mundo que aceita esse tipo de comportamento, mesmo entre brasileiros.
Não é preciso ser estrangeiro para perceber que o excesso de descontração e o comportamento efusivo são pouco adequados às relações comerciais.

Até mesmo no mundo da moda jovem, onde vendedores têm o mesmo linguajar e gestual descolado dos seus clientes, gerentes ficam atentos para lembrar suas equipes que clientes são e deverão continuar sendo clientes.
No ambiente corporativo e nas relações profissionais de um modo geral, o contato físico deve resumir-se ao protocolar aperto de mão. Firme. Não apertado, mas nunca frouxo ou de ponta de dedos.

Imagina-se que em situações extraordinárias, como o fechamento de um excelente negócio para ambas as partes ou na conquista de objetivos duramente batalhados, sejam aceitáveis o abraço e a comemoração que também ocorrem em confraternizações, por exemplo. Mas também aí há limites – veja o D&T 69 de 11/12/2013 – pois a alegria legítima de momentos especiais não justifica uma mudança que dê margem a intimidade permanente.

Simpatia, cordialidade, jovialidade combinam perfeitamente com um comportamento restrito às regras mais formais do ambiente empresarial. Além de serem elegantes, preservam a relação dentro do conveniente contexto profissional.

Esta é a 3a. de uma série de oito D&Ts sobre Etiqueta Empresarial.
“Gírias, tom de voz e temas informais”
Conheça nosso workshop Etiqueta Empresarial e contrate para sua empresa.

____________________________________________________________________________________________________________________________ * Não me toque. Não faça isso novamente.

Posted in:
Sobre o autor

André Ganzelevitch

avatar

André Ganzelevitch é consultor Empresarial e Profissional de Treinamento desde 1981.É autor de mais de 60 títulos de Programas de Treinamento, Workshops e Palestras para diversas entidades de apoio empresarial, para aplicação presencial e à distância.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *